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2007-07-02

Wilhelm Friedemann Bach


Wilhelm F. Bach (22/11/1710 - 1/7/1784) foi o segundo filho do grande Johan Sebastian Bach e o primeiro da sua mulher Maria-Barbara. O jovem Wilhelm Friedemann foi sempre o mais próximo e o preferido do pai. Para além da Música, estudou Direito, Filosofia e Matemática e parecia ter um futuro promissor. A Música, naturalmente, aprendeu-a do pai e revela, em algumas passagens do que deixou escrito, uma aderência quase absoluta a trechos da escrita do progenitor. Wilhelm, apesar de talentoso, parece ter-se tornado sombrio e pouco regrado na sua vida social. Rapidamente caiu em desgraça na Berlim do século XVIII. Chamou a si situações difíceis que lhe trouxeram uma velhice decadente e uma morte miserável.


Herdou algo do pai: a sua música mostra talento e originalidade, marcas familiares que parece partilhar com outros elementos da brilhante prole Bach.


O cd gravado por Barthold Kuijken e Marc Hantai dos seus «Six Duets for Two Flutes» exibe bem a medida do talento do compositor mas também a permanente sujeição à matriz paterna. Herança pesada é a deixada por tal pai! No entanto, no contexto da passagem do Barroco Musical para o Classicismo é, sem dúvida, um compositor a ter em conta e a ouvir com atenção.

2007-06-11

Carlos Seixas





Carlos Seixas (11 de Junho de 1704 – 25 de Agosto de 1742)

Celebrar-se-ia hoje o 303º aniversário de Carlos Seixas (José António, de nome próprio). Seixas é uma daquelas figuras frequentes na paupérrima história da cultura portuguesa. Não, pela cultura, que essa é rica e nada deve ou teme perante as mais diversificadas formas de afirmação de qualquer nação, pela particularidade dos seus valores, dos seus sentires e do seu afirmar-se entre as demais gentes do globo. Também não pelo povo que é ávido de afirmação e capaz de se mostrar condignamente e bem alto por meios e manifestações tão fortes e ricas como quaisquer outras da velha Europa e do mundo. Pobre apenas por não reconhecer, afinal, quem tão bem a defende, a reforça, reaviva e engrandece. ‘Pobre' aqui é um lamento, não um juízo de facto.

Filho do Mestre Organista da Sé de Coimbra (Francisco Vaz), cedo o jovem José António revelou o génio de quem é tocado pelo indicador dourado com que os deuses assinalam os melhores. Ainda jovem coadjuva, e depois substitui, a “eminência parda” do Barroco em Portugal e na Europa rendida aos pés e à música divina de Domenico Scarlatti, então Mestre da Capela Real da Coroa Portuguesa.

Seixas introduz “cultura portuguesa” no Barroco. Não poderemos falar, com propriedade, num “barroco português”, com respeito à música, mas de um movimento cultural barroco, definitivamente enriquecido pela genialidade do excelente cravista e compositor (não só de cravo viveu o artista!) que foi Carlos Seixas. Leveza, suavidade, experimentalismo são predicados que em Seixas vêm iluminar a fonte do barroco italiano, de que é bebedor. A sua música de capela parece extraída do sol que invade as cúpulas dos templos lusos e se deposita docemente, em notas de luz serena, na partitura do mestre cravista português.

Porque hoje faria anos e quem se revela grande e luminoso nos labirintos da cultura, ecoa até das ruínas e dos tormentos, e flui eternamente nos espíritos, como um alento de nacionalidade, aqui se assinala respeitosamente o facto. Com profundo respeito e reconhecimento da dívida imensa. Hoje, um dia depois do numismático delírio belicista e patrioteiro.