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2008-06-28

Regresso (???) ....e descoberta


Francesco Antonio Bonporti (1672 - 1749)

Coloca-se a hipótese de ter sido Arcangelo Corelli a contribuir decisivamente para a paixão pelo violino deste humanista filósofo «amador de música», como gostava de se dizer. Para mim, que invisto parte interessante das minhas emoções nesta idílica idade do ouro do Barocco, foi uma gratíssima descoberta. Entre a vocação de "Il Prete Rosso" e a devoção do verdadeiro «patriarca» do barroco que foi J.S. Bach, este igualmente "homem da Igreja" de Trento e Pádua quase passava em silêncio pela história da música. Não fosse a 'transcrição' de parte da sua Invenzione Decima in E, levada a cabo pelo grande Johann Sebastian e talvez não fosse possível fruir desta espantosa arte da harmonia e da muito cativante e viva arte da melodia. O hábito, pelos vistos usual à época, do apossamento de obras de outros autores (sem pagar direitos) retribui, afinal, em grandes benefícios. Outros tempos!!

Bonporti, agora descoberto graças a Bach, merece ser ouvido com o coração. Infelizmente no Youtube apenas esta Sonata a Tre nº 8 o apresenta e representa. Mas dele há muito mais e melhor para ouvir. Por exemplo as Invenzioni a Violino Solo op.X. Muito bom!



2007-12-22

Obra-prima

«A obra-prima é uma sinfonia tocada nos nossos melhores sentimentos. Ao toque mágico do belo as cordas mágicas do nosso ser despertam, vibramos e alegramo-nos em resposta à sua chamada. A mente fala à mente. Escutamos o que não foi dito, fitamos o que não foi visto. (…) Memórias há muito esquecidas regressam a nós com novo significado. Esperanças sufocadas pelo medo, desejos que não ousamos reconhecer, avançam em nova glória. A nossa mente é a tela onde os artistas colocam a sua cor; os seus pigmentos são as nossas emoções; o seu «chiaroscuro» a luz da alegria, a sombra da tristeza. A obra-prima é de nós próprios tal como nós somos da obra-prima.
(…)
Para compreender uma obra-prima tendes de rebaixar-vos perante ela e aguardar com respiração contida a menor das suas elocuções

Kakuzo Okakura; O Livro do Chá




«Coro:

Muchas cosas hay portentosas, pero ninguna tan portentosa como el hombre; él, que ayudado por el noto tempestuoso llega hasta el otro extreme de la espumosa mar, atravesándola a pesar de las olas que rugen, descomunales; él que fatiga la sublimísima divina tierra, inconsumible, inagotable, con el ir y venir del arado, año tras año, recorriéndola con sus mulas.`Con sus trampas captura a la tribu de los pájaros incapaces de pensar y al pueblo de los animales salvajes y a los peces que viven en el mar, en las mallas de sus trenzadas redes, el ingenioso hombre que con su ingenio domina al salvaje animal montaraz; capaz de uncir con un yugo que su cuello por ambos lados sujete al caballo de poblada crin y al toro también infatigable de la sierra; y la palabra por si mismo ha aprendido y el pensamiento, rápido como el viento, y el carácter que regula la vida en sociedad, y a huir de la intemperie desapacible bajo los dardos de la nieve y de la lluvia: recursos tiene para todo, y, sin recursos, en nada se aventura hacia el futuro; solo la muerte no ha conseguido evitar, pero si se ha agenciado formas de eludir las enfermedades inevitables. Referente a la sabia inventiva, ha logrado conocimientos técnicos más allá de lo esperable y a veces los encamina hacia el mal, otras veces hacia el bien. Si cumple los usos locales y la justicia por divinos juramentos confirmada, a la cima llega de la ciudadanía; si, atrevido, del crimen hace su compañía, sin ciudad queda: ni se siente en mi mesa ni tenga pensamientos iguales a los míos, quien tal haga.»
Sófocles; Antígona

2007-10-31

Dietrich (Diderich) Buxtehude (1637 - 1707)

Infelizmente não foi possível estar presente na Capela da Bemposta. Teria sido muito interessante. No entanto fomos contaminados pela febre de Buxtehude, mesmo à distância.
Há uma linha bem vincada que vai do compositor alemão (que sempre se reclamou dinamarquês, pelo que se diz) até Bach...e continua. Persistente. Como já o fora Bach quando insistiu, correndo alguns riscos assinaláveis, em fazer a longa viagem até Lübeck para se encontrar com o famoso compositor da cidade. Isto Ilustra bem a admiração do genial Johann Sebastian pelo organista de Marienkirche.
As Kantaten que Ton Koopman tão bem soube trazer ao público e a música para órgão, aqui soberbamente interpretada por K-B Kropf, no Arp Schnitger de Neuenfelde, revelam a certeza da intuição de Bach ao sublinhar o valor desta música profunda e envolvente.

Assim, tem sido uma semana a cantata e órgão. E como já nos foi dito, é um privilégio!


2007-09-21

BWV 1065



Já ouvi tanta música de Bach que me parecia que nada me escapara desse universo extraordinário e vastíssimo. Puro engano! A música é também um mundo de eternas e maravilhosas surpresas. E quando pensávamos que mais nenhuma genialidade nos poderia surpreender....ficamos «de queixo à banda» com um autêntico festival ...de puro génio. Benditos os pianos e as cordas! Benditas as mãos....




2007-07-02

Wilhelm Friedemann Bach


Wilhelm F. Bach (22/11/1710 - 1/7/1784) foi o segundo filho do grande Johan Sebastian Bach e o primeiro da sua mulher Maria-Barbara. O jovem Wilhelm Friedemann foi sempre o mais próximo e o preferido do pai. Para além da Música, estudou Direito, Filosofia e Matemática e parecia ter um futuro promissor. A Música, naturalmente, aprendeu-a do pai e revela, em algumas passagens do que deixou escrito, uma aderência quase absoluta a trechos da escrita do progenitor. Wilhelm, apesar de talentoso, parece ter-se tornado sombrio e pouco regrado na sua vida social. Rapidamente caiu em desgraça na Berlim do século XVIII. Chamou a si situações difíceis que lhe trouxeram uma velhice decadente e uma morte miserável.


Herdou algo do pai: a sua música mostra talento e originalidade, marcas familiares que parece partilhar com outros elementos da brilhante prole Bach.


O cd gravado por Barthold Kuijken e Marc Hantai dos seus «Six Duets for Two Flutes» exibe bem a medida do talento do compositor mas também a permanente sujeição à matriz paterna. Herança pesada é a deixada por tal pai! No entanto, no contexto da passagem do Barroco Musical para o Classicismo é, sem dúvida, um compositor a ter em conta e a ouvir com atenção.

2007-06-27

Georg Philipp Telemann






Alguém, de que não obtive a referência exacta, disse um dia acerca de Georg Philipp Telemann (1681 - 1767): «Telemann é um daqueles raros génios que consegue reunir a mestria técnica à inventividade, ao puro bom gosto musical e, acima de tudo, uma capacidade sintétca dos gostos musicais da época, o que o torna um dos maiores compositores da sua época». Parece que com Bach (J.S.), e Händel, o nome de Telemann significava «a música». Nos 240 anos da sua morte recordamos com muito agrado o seu «puro bom gosto musical», felizmente bem apresentado por excelentes executantes do nosso tempo. Flores para o génio!