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2007-10-04

Óbidos - Temporada de Cravo


Está à porta a 5ª edição da «Temporada de Cravo de Óbidos». Este ano sob os auspícios da celebração dos 250 anos da morte do compositor napolitano Domenico Scarlatti. Uma excelente iniciativa numa vila que se afirma cada vez mais no panorama cultural deste pobre país e, ainda por cima, aqui tão perto de tudo. Tanto quanto sei não vai haver Spinet. Mas garanto que vale a pena. Consulte-se aqui o flyer.


2007-06-11

Carlos Seixas





Carlos Seixas (11 de Junho de 1704 – 25 de Agosto de 1742)

Celebrar-se-ia hoje o 303º aniversário de Carlos Seixas (José António, de nome próprio). Seixas é uma daquelas figuras frequentes na paupérrima história da cultura portuguesa. Não, pela cultura, que essa é rica e nada deve ou teme perante as mais diversificadas formas de afirmação de qualquer nação, pela particularidade dos seus valores, dos seus sentires e do seu afirmar-se entre as demais gentes do globo. Também não pelo povo que é ávido de afirmação e capaz de se mostrar condignamente e bem alto por meios e manifestações tão fortes e ricas como quaisquer outras da velha Europa e do mundo. Pobre apenas por não reconhecer, afinal, quem tão bem a defende, a reforça, reaviva e engrandece. ‘Pobre' aqui é um lamento, não um juízo de facto.

Filho do Mestre Organista da Sé de Coimbra (Francisco Vaz), cedo o jovem José António revelou o génio de quem é tocado pelo indicador dourado com que os deuses assinalam os melhores. Ainda jovem coadjuva, e depois substitui, a “eminência parda” do Barroco em Portugal e na Europa rendida aos pés e à música divina de Domenico Scarlatti, então Mestre da Capela Real da Coroa Portuguesa.

Seixas introduz “cultura portuguesa” no Barroco. Não poderemos falar, com propriedade, num “barroco português”, com respeito à música, mas de um movimento cultural barroco, definitivamente enriquecido pela genialidade do excelente cravista e compositor (não só de cravo viveu o artista!) que foi Carlos Seixas. Leveza, suavidade, experimentalismo são predicados que em Seixas vêm iluminar a fonte do barroco italiano, de que é bebedor. A sua música de capela parece extraída do sol que invade as cúpulas dos templos lusos e se deposita docemente, em notas de luz serena, na partitura do mestre cravista português.

Porque hoje faria anos e quem se revela grande e luminoso nos labirintos da cultura, ecoa até das ruínas e dos tormentos, e flui eternamente nos espíritos, como um alento de nacionalidade, aqui se assinala respeitosamente o facto. Com profundo respeito e reconhecimento da dívida imensa. Hoje, um dia depois do numismático delírio belicista e patrioteiro.